Sentou-se de frente para uma parede branca. Estava sozinho, no chão, com as pernas cruzadas. Tocou a parede com uma das mãos. Ficou sobre os joelhos e se aproximou um pouco mais. Encostou o ouvido para escutar melhor. Não passavam de ruídos mas ainda assim o instigavam. Havia algo do outro lado. Não exatamente depois da parede, mas na parede. E estava falando.
Ele não conseguia entender mas sabia que ela dizia algo. A princípio pensou ser culpa dos encanamentos velhos mas agora percebia sílabas avulsas o chamando. Pensou várias vezes em quebrá-las mas tinha medo. Temia que as vozes calassem.
Desceu até o porão, apanhou as latas de tinta sob a escada, os pincéis, e a encarou uma última vez. Pálida.
Abriu as latas e espalhou tinta por toda a superfície branca. Nenhuma das formas se aproximava de algo do mundo real. Ele parou apenas quando o último centímetro de branco ficou coberto. O suor lhe escorria pelo pescoço. Afastou-se para observar e sorriu. O que ele temia acabara acontecendo. As vozes, antes inteligíveis, cessaram. Agora elas eram claras, visíveis.
Tudo o que pediam era para serem ditas...
Ele não conseguia entender mas sabia que ela dizia algo. A princípio pensou ser culpa dos encanamentos velhos mas agora percebia sílabas avulsas o chamando. Pensou várias vezes em quebrá-las mas tinha medo. Temia que as vozes calassem.
Desceu até o porão, apanhou as latas de tinta sob a escada, os pincéis, e a encarou uma última vez. Pálida.
Abriu as latas e espalhou tinta por toda a superfície branca. Nenhuma das formas se aproximava de algo do mundo real. Ele parou apenas quando o último centímetro de branco ficou coberto. O suor lhe escorria pelo pescoço. Afastou-se para observar e sorriu. O que ele temia acabara acontecendo. As vozes, antes inteligíveis, cessaram. Agora elas eram claras, visíveis.
Tudo o que pediam era para serem ditas...
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