quarta-feira, 16 de julho de 2008

O sabor das Cores

Era dia, meu quarto tinha as paredes brancas e a janela, como sempre, aberta. A luz entrava por ela. Não quente, como se espera dos dias ensolarados, mas branca, clara e fria.
Não tinha vento.
Deitei-me no chão na tentativa de sentir aquele lugar e ouvir o que ele tinha a me dizer.
Silêncio.
Atentei para minha camiseta verde e meus jeans brancos uma última vez e fechei os olhos. Talvez os demais sentidos estivessem me impedindo de escutar os rotineiros ruídos.
Nada e tudo.
Inúmeros barulhos e eu surdo, incapaz de reconhecer ao menos um que fosse familiar.
Sentia o gosto das cores em minha boca. Podia combiná-las como eu bem entendia e um novo sabor eu dava às coisas. Olhos azuis e lábios vermelho-rosados com camisa cinza listrada e cabelos castanho-claros caindo sobre a testa me agradavam embora algo na combinação me incomodasse. Não que fosse ruim, mas impedia de ser perfeito. Acho que era o gosto adstringente das listras que estreitavam meus sentidos, o que não era bom.
Melhor sem ela.
Abri um espaço em seu livro quando me senti satisfeito em degustar suas cores, sem interesse em ler o que nele já havia, escrevi algumas frases desconexas que me descreviam e o devolvi com cuidado, saindo em busca de outros livros, outros quartos, outras cores...

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