Abriu os olhos assim que o telefone começou a tocar.
Demorou ainda alguns segundos para se situar no tempo e no espaço e, quando o fez, decidiu não atender. O toque persistiu por algum tempo e depois parou. Ficou ali deitado mesmo sabendo que não conseguiria mais dormir, afundado no travesseiro.
O sol acabara de nascer e aos poucos ia invadindo o aposento em que se encontrava. Sua cabeça doía. Não se lembrava de muita coisa, e também não faia questão. O cheiro em seu corpo era familiar. Não ruim, exatamente. Mas nem muito agradável.
Já conseguia manter os olhos abertos, ainda que sentisse seu corpo pesado e sua vista estivesse embaçada. Enxergou roupas espalhadas pelo chão, então se deu conta de que estava nu e dormira na sala. Tentou puxar pela memória mas não se lembrava de nada, nem de ter saído depois do rotineiro copo de wisky, nem de ter recebido ninguém em seu apartamento, mas sabia que não estava sozinho. Não fumava desde a adolescência porém sentia o cheiro da fumaça muito próximo de onde se encontrava, sem forças.
Ouviu passos descalços se aproximarem e uma voz, não muito grave, dizer: “Imaginei que tivesse acordado com o telefone. Está melhor?” Seus olhos não reconheceram aquela figura esguia e disformemente nua em sua frente mas agradou-lhe o modo suave com que aquela voz de direcionava a ele. Tentou responder mas nenhum som saía. Apenas levantou a mão e fez sinal para que se juntasse a ele...
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